O site Curriculum.com.br, segundo noticiado pelo Oglobo.com, realizou uma pesquisa que defenestra o desempenho de estagiários e Trainees. Segundo a pesquisa, 39,7% das empresas que costumam contratar estagiários reclamam que falta “responsabilidade” e 38,2% reclamam de falta de “comprometimento com resultados” entre os pimpolhos.
Ora, isso é absolutamente ÓBVIO! Desde que a lei 9.504/97 foi aprovada, que a função de estagiário começou a mudar de perfil. Antes, empregadores tinham que se preocupar com abusos, de forma a não gerar processos trabalhistas. Como a referida lei declara expressamente não haver vínculo empregatício com o estagiário, e que esse pode ser demitido sem direito algum, sem 30 dias, e sem maior burocracia do que assinar um único documento em 3 vias, o estagiário virou “escraviário”. Laranja a ser chupada e jogada fora no bagaço.
Some-se a isso o fato de que a imensa maioria das empresas, 90% – segundo o Sebrae, são familiares; e que nessas, os critérios de promoção e efetivação tem mais a ver com laços de sangue e amizade do que de competência, que fica claro para o estagiário minimamente inteligente que ele só está sendo usado para fazer o trabalho que a filhinha do chefe não quer fazer (tirar cópias, tirar notas fiscais, levar cafezinho pra cima e pra baixo, etc). Resultado: os estagiários não se comprometem com os objetivos da empresa, porque desde o início a empresa não se compromete com eles. Ele (ou ela) vai sugar o que puder de conhecimento (e documentos e informações interessantes nos pen-drives da vida) e cair fora quando arranjar coisa melhor.
Está na hora da empresa brasileira amadurecer para a necessidade de investir em seus quadros. Dar fidelidade e comprometimento para recebê-los em troca, essa é a chave.
E tenho dito.
P.S.: quando falo em “investir” nos quadros, não falo de contratar consultorias fajutas movidas pelas psicólogas que se metem em administração que levam as “equipes” para fazer rafting e arvorismo. Falo de investir em desenvolvimento de relacionamento interpessoal, fomentar a confiança entre os departamentos, valorizar o mérito e desenvolver lideranças.